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.100893O feminicídio no México
Nos últimos doze anos, mais de 400 mulheres foram assassinadas em Ciudad Juárez, no México. As vítimas são, na maioria, mulheres que foram, em 70% dos casos, violadas, estranguladas e mutiladas. As evidências apontam que as autoridades locais se esforçam pouco para resolver estes assassinatos e desaparecimentos.
Vítimas
Em 19 de setembro de 1998, uma cidadã holandesa tornou-se mais uma vítima dessa rede. Hester van Nierop, de 28 anos, foi assassinada em Ciudad Juárez, no meio do deserto, que se converteu numa das cidades mais violentas do país. Além de mais de 400 mulheres assassinadas, há cerca de cinco mil desaparecidas desde que este fenômeno de horror começou a ser registrado na região de Chihuahua, em 1993. Os acontecimentos econômicos da década de 90 são a chave para entender a origem desses crimes brutais contra mulheres. A partir da década passada, mulheres jovens e de origem humilde, estudantes, meninas e adolescentes passaram a ser raptadas, mantidas em cativeiros e sujeitas às piores violências sexuais, antes de serem barbaramente assassinadas. As vítimas fazem parte das milhares que se dirigiram, nos últimos anos, à região em busca de ofertas de emprego.
Atrás de respostas a estes crimes, a instituição Colégio da Fronteira Norte do México descobriu que um quinto destas vítimas havia trabalhado nas 300 montadoras de multinacionais que dominam a economia de Ciudad Juárez. As vítimas, em geral, fazem parte da imensa massa de trabalhadores desqualificados que chega na região, totalizando 300 a cada dia. No caso das mulheres sozinhas, tornam-se presas fáceis diante da impunidade que grassa na região. Desempregados, marginalizados, prostitutas, traficantes de pessoas e narcotraficantes rondam a área, onde a desigualdade, a pobreza e a falta de justiça são os campos férteis adubados com o sangue de
mulheres.
Acusações
Estes casos, no entanto, não ocorrem somente nesta região do México. Estas formas de violência são registradas em outras áreas e estão sendo denominadas de feminicídio. Até agora o banco dos réus permanece vazio, sem os autores dos crimes. Organizações em prol de direitos humanos acusam o governo mexicano de fazer pouco para investigar esta ameaça constante sobre a cabeça das mulheres.
Há ainda acusações de envolvimentos de autoridades nos crimes, falsificação de documentos e enterros ilegais das vítimas em valas desconhecidas pela polícia. Para membros da organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional há evidências de envolvimento de autoridades locais nas mortes e desaparecimento dessas mulheres. Uma comissão das Nações Unidas para investigar o feminicídio chegou à conclusão de que autoridades da Justiça mexicana tinham sido infiltradas pelo sindicato do crime. O presidente mexicano, Vicente Fox, chegou a desmantelar o departamento local, para demonstrar que estava tentando solucionar o caso.
Railda Herrero
RNW
Autor: Umar Açores
Data: 14-05-2007
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