UMAR - Açores

.100885“A revolução do 25 de Abril deu mais um passo!(...)"

O Movimento Feminista em Portugal passa agora a uma nova etapa após os resultados obtidos pelo Sim no Referendo à despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.
A acção e contributo da UMAR no apoio ao Sim caracterizou-se pela sua participação na plataforma Sim, a realização de actividades específicas e a sua interligação com o movimento feminista internacional.


A UMAR Açores realizou, durante o mês de Janeiro duas acções públicas de grande oportunidade e interesse: o primeiro no dia 26 em Angra do Heroísmo - Debate sobre a Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez - juntou algumas dezenas de pessoas e contou com Fernanda Mendes em representação do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim (MCRS), Paulo Mendes da APF e Sara Sarroeira da UMAR. No dia 31, foi a vez do debate sobre Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos, integrado no Projecto “Nas Asas da Igualdade”. Este debate contou com a parceria activa da Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada, em cujo anfiteatro decorreu o evento juntando à volta de duas centenas de participantes na sua maioria estudantes desta Escola Superior de Enfermagem. Contou com uma mesa constituida por Fernanda Mendes do MCRS do lado do Sim e Carmo Rodeia da Plataforma pelo Não. O debate com moderação a cargo do Enfº. Alberto Duarte, Professor desta Escola, foi um debate interactivo e muito participado permitindo um profundo esclarecimento com base nas questões da Saúde dos Direitos Sexuais e Reprodutivos que estão na base da problemática do Referendo de 11 de Fevereiro.

Ao longo da Campanha foi-nos possível acompanhar as percepções e sentires sobre o problema do aborto clandestino e inseguro, e a injustiça da lei portuguesa criminalizadora da mulher que opte por interromper uma gravidez.
As mentalidades moralistas, intolerantes e o obscurantismo, estão sendo ultrapassadas. Nesta campanha pôde ver-se o papel de retrocesso representado pela hierarquia da Igreja Católica colocando-se do lado do Não à despenalização colocando-se contra a autonomia e dignidade da mulher, como aliás em diferentes momentos se tem colocado ao longo da história. Apesar disso o bom senso e a compreensão do problema foram mais fortes. O Sim subiu, duplicando na Região (em comparação com 1998) e ganhou no todo nacional.
A defesa do Sim foi uma batalha difícil mas justa e gratificante, pois colocou questões de grande pertinência e actualidade. A vitória do Sim em Portugal, abre novos caminhos, garante a alteração da lei que criminaliza a mulher e coloca nas mãos da Assembleia da República e dos Partidos a tarefa de cumprir o seu papel.
Abrem-se novos espaços para o reforço dos direitos e da educação. Amplia-se a área de intervenção e o eco das causas defendidas desde sempre pelas ONG da área da Igualdade de Género, dos Direitos das Mulheres e dos Direitos Sexuais e Reprodutivos.
Terminamos com um pequeno extracto do comunicado da UMAR, logo no dia seguinte ao dia da votação no Referendo de 11 de Fevereiro de 1007:

“A revolução do 25 de Abril deu mais um passo!
A luta foi longa, e o povo saiu à rua num dia assim. A vitória do SIM mostrou que as portuguesas e os portugueses não se deixaram levar por demagogias fundamentalistas, inverdades e discursos falaciosos.”

ILUSTRAÇÃO: Imagem da Dança do Ballet Paz, na abertura do Debate Direitos Sexuais e Reprodutivos.

Autor: Umar Açores
Data: 22-02-2007

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